Acho que o pessoal do trabalho me acha estranha. Ou anti-social. Ou os dois. Quer dizer, em Recife achariam, mas aqui nesta terra de temperaturas e corações frios talvez nem faça muita diferença.
Me perdi um pouco nessas divagações por causa de um novo hábito que adquiri: almoçar sozinha. Sei que parece um detalhe bobo, mas até pouco tempo atrás era algo que se traduzia em verdadeira tortura para mim. Ainda no meu tempo de repórter da Prefeitura de Jaboatão por exemplo, às 10 da manhã eu já estava em busca de companhia para o almoço. Às vezes, quando chegava a hora fatídica e eu ainda não havia encontrado parceria, perdia metade do almoço tentando convencer alguém a pelo menos ficar tagarelando comigo enquando eu comia. Almoçar sozinha fazia com que eu me sentisse deprimida, abandonada, largada, excluída. Sem exageros. Era algo que me chateava profundamente.
Hoje isso mudou. Fico observando as pessoas saírem para o almoço em um bando alegre e barulhento e simplesmente sigo para o lado oposto. Não é que meus novos colegas de trabalho sejam chatos. Pelo contrário, são pessoas agradáveis. Mas não sei explicar quando, consegui encontrar prazer no ato de estar em minha própria companhia. E ando valorizando isso mais do que qualquer coisa. Claro que, vez ou outra, acompanho o pessoal no restaurante onde eles costumam ir. Mas gosto mesmo é de curtir um tempo perdida nos meus pensamento que há muito deixaram de machucar e assustar. Deve ter a ver com esse negócio de felicidade que comecei a experimentar agora.









1 comentários:
Não sei lhe dizer o verdadeiro motivo dessa mudança. Porém, acredito que a quantidade de problemas, decisões e aborrecimentos que carregamos ao longo do dia, faz com que nós, pobres mulheres responsáveis, optemos por um almoço solitário, pelo simples fato de termos um tempinho para organizarmos ou reorganizarmos as nossas vidas. Caso contrário, seriamos um ser menos divertido, responsável e dinâmico, ou seja, seriamos HOMEM!!!!!
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