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O fim



Um dia a gente acorda e descobre que a respiração dele já não define o compasso do nosso mundo. 
Os olhos dele já não têm aquele brilho que somente nós seríamos capazes de notar. 
Um toque, ainda que não-intencional, já não desperta calafrios de prazer. 
Aquele sorriso já não ilumina nosso dia.
As palavras, mesmo as mais banais, que antes nos embriagavam, já não são capazes de nos prender.


Então a gente descobre que ele não era tanto. 
Descobre que talvez ele seja apenas nada. 
E ele deixa de parecer tão forte, tão inteligente, tão incrível, e passa a ser apenas o que é. 
E na maioria das vezes ele é pouco.


Aí a gente se decepciona. Se sente burra, enganada não por ele, mas pelos nossos sentimentos. Vem à tona tudo o que antes não conseguíamos enxergar: os defeitos, as fraquezas, os vícios, as mentiras. Mentiras que contamos a nós mesmas, na ânsia de transformar nosso objeto de afeição em algo que realmente merecesse aquele sentimento. Mas nesse ponto já sabemos que não merecia, que não valia a pena. E nos perguntamos como fomos capazer de nos apaixonar por aquilo.


O desejo se esvai e é substituído pela repulsa. Ele deixa de ser suficiente. Em alguns casos, simplesmente deixa de ser, se trasforma em alguém que apenas está ali, que é só mais um a receber a simpatia neutra que dedicamos a quem nos é indiferente. 


Aí a gente acorda e descobre que a raiva se diluiu. Como num estalo. Como a cura profetizada pela melhor amiga, que sempre achou que ele não era bonito o bastante, sofisticado o bastante, inteligente o bastante, forte o bastante, e sempre nos julgou idiotas por continuar querendo ele, a pior das opções disponíveis.


É quando começamos a enxergar os outros como mais do que um passatempo para esquecê-lo. É quando nos sentimos prontas. É quando finalmente descobrimos que acabou, e nos abrimos para a próxima paixão.

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