Juro que tenho medo dessa moda que se espalha entre jornalistas da área de assessoria de imprensa de oferecer o serviço de manipulação das Redes Sociais dos clientes. Todo jornalista e/ou marketeiro que conheço está querendo abocanhar um filão desse mercado. O grande problema é que a maioria deles não entende nada do assunto. Acham que somente porque usam redes sociais para contatos pessoais, são experts. Bom, a verdade é que não são. E não sendo, apresentam uma grande chance de prejudicar o cliente ao invés de ajudá-lo.
Lembro do caso de um político que foi meu cliente, que tinha um estudante de publicidade orientando o uso de seu twitter. Como a manipulação daquele espaço não fazia parte do meu contrato, eu não podia interferir. Mas em dado momento, quando o rapaz o orientava a publicar coisas como "hoje fui ao cinema com minha família" na minha frente me senti obrigada a dar uma opinião. Disse logo que não achava conveniente esse tipo de mensagem por razões óbvias: ao menos em tese, quem se dispõe a seguir um político em período eleitoral não está interessado em saber se ele foi ao cinema com a família ou não. Está interessado em conhecer seu trabalho e suas propostas. Uma coisa é fazer uma crítica a um filme como ferramenta de humanização e aproximação dos seguidores, mostrando que também aprecia atividades culturais. Outra é prestar uma informação vazia de sua vida pessoal.
A realidade da exploração de Redes Sociais como oportunidade de fortalecimento de imagem e aproximação do público é que a experiência pessoal ajuda, evidentemente. Conhecer as ferramentas também. Mas o período de amadorismo na relação das empresas com as redes sociais já passou. O mercado cresceu rapidamente e já não permite seu uso na base da tentativa e erro. Uso pessoal não é a mesma coisa que uso comercial, e o profissional precisa ter isso em mente antes de começar a vender o serviço para o cliente. Ler sobre a temática, acompanhar palestras, blogs e sites especializados, pesquisas sobre o que tem dado resultado ou não, seguir marcas que tem se destacado nas redes para conhecer suas atividades online, tudo isso faz diferença para quem quer chegar lá.
Outra coisa absolutamente indispensável na hora de mergulhar no universo das novas mídias é o comprometimento e a consciência de separar o que está pronto para oferecer ou não. Hoje ouvi uma coisa que me causou até urticária: um jornalista dizia a outro que não tem uma empresa estável e conhecida como a dele, então pode se dar ao luxo de cometer um erro que garanta o contrato, o que nesse caso seria prometer um serviço com uma possibilidade mínima de dar certo, já que não dispunha da tecnologia necessária. Acho isso uma falta de responsabilidade e respeito ao cliente sem tamanho. E a si próprio também. No mercado de jornalismo em geral - e especialmente no mercado recifense onde ele trabalha, e que é praticamente uma vila onde todo mundo conhece todo mundo - nosso nome ou o nome da nossa empresa são o nosso maior trunfo e devem ser zelados desde o início.
Claro que o fantasma do erro, sempre estará ali, a espreita. Isso é natural em qualquer ação que empreeendemos. A questão é que quanto mais conhecimento você acumula acerca do tema, menor a chance de fazer alguma besteira. Errar ensina, é verdade, mas as pessoas inteligentes aprendem também, e principalmente, com os erros dos outros.









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