O livro "As boas mulheres da China" conta histórias de diferentes mulheres chinesas que a jornalista Xinran ouviu e registrou entre os anos de 1989 e 1997, quando apresentava um programa de rádio chamado "Palavras na brisa noturna". Através desses relatos, a autora traça um panorama sensível e comovente das condições de vida das mulheres na China moderna.
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Estupros, maus-tratos, casamentos forçados, seqüestros, incesto, tortura, negligência. Crimes inimagináveis cometidos contra seres criados para aceitar, se resignar. Crimes cometidos, muitas vezes, com o aval da lei e do Partido. Xinran correu um grande risco ao abrir um espaço na mídia para dar voz a essas histórias e tentar entender a alma dessas mulheres.
Estupros, maus-tratos, casamentos forçados, seqüestros, incesto, tortura, negligência. Crimes inimagináveis cometidos contra seres criados para aceitar, se resignar. Crimes cometidos, muitas vezes, com o aval da lei e do Partido. Xinran correu um grande risco ao abrir um espaço na mídia para dar voz a essas histórias e tentar entender a alma dessas mulheres.
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Alguns sentimentos permearam a minha leitura: dor, indignação, reconhecimento e vergonha, muita vergonha. A dor e a indignação vieram acompanhadas de lágrimas e estiveram presentes em cada linha, mesmo no início, quando eu apenas vislumbrava o que estava por vir. O reconhecimento e a vergonha é que demoraram algumas páginas para surgir, embora tenham chegados juntos e com uma força avassaladora.
Alguns sentimentos permearam a minha leitura: dor, indignação, reconhecimento e vergonha, muita vergonha. A dor e a indignação vieram acompanhadas de lágrimas e estiveram presentes em cada linha, mesmo no início, quando eu apenas vislumbrava o que estava por vir. O reconhecimento e a vergonha é que demoraram algumas páginas para surgir, embora tenham chegados juntos e com uma força avassaladora.
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Em algum momento da leitura, não sei exatamente qual, me dei conta de que muitas dessas histórias escondidas na ditadura, se repetiam com outros personagens no nosso Brasil democrático. Também temos aqui violência contra as mulheres, estupro, exploração sexual, descaso, tortura, trabalhos degradantes, cárcere privado, adoções ilegais, turismo sexual, tráfico de seres humanos. Também submetemos nossas mulheres a vários tipos de humilhação. Também as ensinamos a ficarem caladas.
Em algum momento da leitura, não sei exatamente qual, me dei conta de que muitas dessas histórias escondidas na ditadura, se repetiam com outros personagens no nosso Brasil democrático. Também temos aqui violência contra as mulheres, estupro, exploração sexual, descaso, tortura, trabalhos degradantes, cárcere privado, adoções ilegais, turismo sexual, tráfico de seres humanos. Também submetemos nossas mulheres a vários tipos de humilhação. Também as ensinamos a ficarem caladas.
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Embora o movimento feminista esteja crescendo, embora tenhamos a Lei Maria da Penha, embora estejamos lutando por um Brasil mais justo para todos, ainda temos uma longa caminhada até alcançar um ideal de igualdade e respeito entre homens e mulheres. O medo ainda é o sentimento que prevalece no olhar das brasileiras, das chinesas, das colombianas, das haitianas... A dor, a humilhação e o silêncio ainda são partilhados por diferentes mulheres, de diferentes nacionalidades.
Embora o movimento feminista esteja crescendo, embora tenhamos a Lei Maria da Penha, embora estejamos lutando por um Brasil mais justo para todos, ainda temos uma longa caminhada até alcançar um ideal de igualdade e respeito entre homens e mulheres. O medo ainda é o sentimento que prevalece no olhar das brasileiras, das chinesas, das colombianas, das haitianas... A dor, a humilhação e o silêncio ainda são partilhados por diferentes mulheres, de diferentes nacionalidades.
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Xinran nos apresenta relatos como o da mãe que, em 1976, viu a filha de 14 anos morrer lentamente presa entre escombros de um terremoto em Tangshan. A precariedade das comunicações na China fez com que as autoridades só soubessem do que aconteceu muitos dias depois, e a menina permaneceu viva durante vários dias, sem poder ser retirada do local.
Xinran nos apresenta relatos como o da mãe que, em 1976, viu a filha de 14 anos morrer lentamente presa entre escombros de um terremoto em Tangshan. A precariedade das comunicações na China fez com que as autoridades só soubessem do que aconteceu muitos dias depois, e a menina permaneceu viva durante vários dias, sem poder ser retirada do local.
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Outra história tocante é a da menina que era sexualmente abusada pelo pai, e se esforçava para estar sempre muito doente, pois somente quando estava internada no hospital tinha um pouco de tranqüilidade. O único carinho que a garota conheceu na vida, foi o toque suave das patas de uma mosca.
Outra história tocante é a da menina que era sexualmente abusada pelo pai, e se esforçava para estar sempre muito doente, pois somente quando estava internada no hospital tinha um pouco de tranqüilidade. O único carinho que a garota conheceu na vida, foi o toque suave das patas de uma mosca.
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Um livro impactante, que chama a atenção do público para a situação inaceitável das mulheres na China, e abre os lhos dos mais sensíveis para os sofrimentos escondidos ali, no nosso quintal.
Um livro impactante, que chama a atenção do público para a situação inaceitável das mulheres na China, e abre os lhos dos mais sensíveis para os sofrimentos escondidos ali, no nosso quintal.







