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MUDAMOS!!!!

Pessoal, o blog mudou de endereço. Quem quiser acompanhar agora pode acessar http://osorrisodamonaliza.wordpress.com


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Carta ao filho que ainda não tive



Querido filho (ou filha)

Lá fora as coisas não são fáceis e esta é a primeira lição que você precisa aprender. Mas isso não quer dizer que não possam ser boas.

Haverá uma série de fatores que determinarão quão dura será a sua jornada, mas o principal deles será você mesmo.

Faça. Não espere que aconteça. E confie em si mesmo.

Respeite os outros. Aprenda que reconhecemos o caráter de uma pessoa pela forma como ela trata aqueles que são mais humildes ou que são muito diferentes.

Defenda o direito de ser livre com unhas e dentes. Principalmente o direito de ser livre das pressões e julgamentos da sociedade. Não seja machista, não seja racista, não seja homofóbico, não seja preconceituoso. Faça e entenda que cada um pode fazer o que quiser, desde que não machuque ninguém (nem a si mesmo).

Saiba apreciar as pequenas coisas, os menores gestos, os mais simples momentos. É neles que se escondem as melhores coisas da vida.

Ame, ame e ame. Pode soar piegas assim, à primeira vista, mas o amor deve ser o motor que controla as engrenagens da sua vida.

Ame sua família. Ame e cultive suas amizades. Não deixe de cuidar bem das suas relações pessoais. Diga às pessoas que as ama. E demonstre. Palavras às vezes não são suficientes.

Cuide, proteja, compartilhe.

Viva seus amigos de forma pessoal. Visite-os e, se não puder, telefone de vez em quando, nem que seja só para dizer um oi e perguntar como vão as coisas. Se não der nem para telefonar, envie um e-mail com palavras carinhosas e únicas, personalizadas. Vá além das indiretas e informações vazias das redes sociais. Esteja presente, de um jeito ou de outro. E lute bravamente contra a correria do dia-a-dia, que sempre tentará tirar esses pequenos prazeres de você. Poucas coisas são tão tristes quanto pensar naquele grande amigo que deixou de ser grande, porque deixamos que se afastasse.

Quanto àquele outro tipo de amor, um amor, digamos, "romântico", relaxe. Provavelmente você terá muitos exemplares. Guarde-os com carinho, mesmo depois de finalizados, pois serão parte importante da pessoa que você virá a ser um dia.

O caminho desses amores por vezes será doloroso. Mas nem cogite deixar de amar. Acredite no que lhe digo, um coração vazio é muito mais pesado do que um coração ferido. Não queira para si este fardo.

Não espere a pessoa certa, porque ela não chegará nunca. Espere apenas os sinais do coração. Um dia ele vai bater mais forte e você saberá que encontrou não a pessoa certa, nem muito menos a pessoa perfeita... mas sim a pessoa que você irá amar. É mais simples e mais inexplicável do que o mundo faz parecer.

E enquanto o amor não chegar, tente. E tente sem medo. Tente sem culpa. Pessoas maravilhosas podem cruzar o seu caminho sem que despertem sua paixão. Assim como você, por mais incrível que seja, nem sempre será amado da forma que gostaria. Aprenda a viver com isso. Se afaste se necessário, dê tempo, respire e deixe que os outros tenham seu próprio espaço também.

Conheça as pessoas e permita que elas conheçam você. Aos poucos. Observe e se deixe observar. Vá revelando a si mesmo como o amanhecer revela o dia. Lentamente. Naturalmente. Sem intervenções. O processo de conhecer alguém é uma das grandes delícias da vida. Não jogue tudo na mesa. Não seja responsável pela perda de seu próprio encanto.

Mas saiba que mais importante do que não ter medo, é não criar expectativas. A vida não tem o hábito de atendê-las. Se tudo certo, você achará muito mais gostoso deixar-se surpreender. E se não der, ao menos vai doer menos.

Também não procure por amor. Isso servirá apenas para angustiar você. E quando a busca começar a se tornar cansativa, você vai começar a confundir amor com outros sentimentos. É aí que a gente se ilude. É aí que a gente se magoa em vão.

Apenas relaxe e deixe a vida acontecer. Mas lembre que deixar a vida acontecer, não significa se acomodar. Saia, conheça gente, conheça o mundo, divirta-se, viva. Viva do modo mais intenso que puder. Para que um dia possa olhar para trás e sentir que valeu a pena.

Não use os outros, nem se deixe usar. Seja sincero sobre as suas intenções. Jogar limpo é uma questão de respeito a si mesmo e aos outros. O respeito é a lição mais importante que você poderá aprender.

E não se vitimize. Aprenda a diferenciar uma situação que não se desenrolou como você queria de uma situação onde alguém te enganou deliberadamente. Pessoas vem e vão. Pessoas cometem erros. Pessoas decepcionam. E nem sempre é de propósito.

Entenda que para ser feliz com outra pessoa, você precisa primeiro estar feliz consigo mesmo. Para amar outro, é preciso antes se amar. Não jogue sua felicidade nas costas de outra pessoa, ninguém merece tamanho fardo. Aprenda a tomar para si a responsabilidade pela sua vida.

Não acreditem quando te disserem que é impossível ser feliz sozinho. As pessoas são diferentes, cada uma tem seu próprio caminho para a felicidade, e fórmulas pré concebidas tem grande chance de serem falhas. Fique inteiro e não precisará encontrar outra metade. Não deixem que lhe digam qual o caminho a seguir. O amor ideal não é aquele que te completa, é aquele que te soma, que te transborda.

E se um dia você vier a este mundo, saiba que alguém amou até mesmo a simples idéia de te ensinar algo que julgou ser bom.

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Queria alguém que me trouxesse chuva


“Ainda bem que você tem essa maturidade”, meu amigo me disse. Ele perguntou sobre o cara com quem eu andei saindo e eu disse que ele preferiu me trocar por outra.

- Doeu? - ele quis saber.
- Não. Eu não fui única para ele como ele não foi único para mim. É só um pouco de orgulho ferido. Mas passa.
- Ainda bem que você tem essa maturidade.

É, acho que hoje em dia eu tenho. Essa maturidade, quero dizer. Aprendi a separar os sentimentos, a não achar que tudo é amor. Mas nem sei se posso dizer um "ainda bem" por isso.

Não, não estou louca. Estou só carente. Vazia.
Enquanto meu amigo acha bom que eu tenha plena consciência de que o rapaz com quem saí jamais me despertou mais do que um pouco de desejo, eu acho ruim. É sinal que nunca senti nada especial por ele. E para quem tem um coração intenso como o meu, não sentir é pior do que sentir e depois chorar dias a fio por um amor que não deu certo.

Ele não foi um amor que não deu certo. Foi a companhia de algumas noites que eu não tive dificuldades para substituir. Foi mais um. E não foram poucos.

Não dói.
“Não dói”, tenho vontade de gritar. Já não derramo uma única lágrima por amor há tempo demais.

Eu tento mergulhar de cabeça, mas vivo batendo no fundo do lago. Tem pouca água lá.
É como se o lago onde antes eu guardava meus sentimentos estivesse passando por um período de seca. Aí eu mergulho, mas bato a cabeça na pedra. Não tem água para nadar, para boiar, para matar o calor, para jogar pro alto, para brincar de ser feliz.
Claro que isso tem um lado bom. Sem água eu não tenho como me afogar naquele mar de sentimentos e lágrimas – lágrimas essas que às vezes são de alegria, às vezes são de dor. Mas por outro lado fico sem a meninice, o encanto de pular na água e brincar como a vida pudesse ser para sempre uma manhã de domingo ensolarada.

Queria alguém me trouxesse chuva.

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Na próxima, eu escolho o bar

Eu não sei se estou ficando velha ou se sou apenas chata. Mas sei que o tempo me ensinou que há programas que, sinceramente, eu passo. Recentemente acrescentei mais um na lista.
Estive em uma barzinho da moda aqui pelas bandas do litoral sul pernambucano em uma sexta-feira a noite. Fui porque conhecia o pessoal que ia tocar e porque já tinha ido outras vezes há algum tempo atrás e achado aceitável. Mas nessa nova tentativa, tive uma noite péssima.
Para começar, o bar estava cheio, muito cheio. Não havia lugares para sentar e as pessoas se amontoavam pelos corredores, tornando o espaço ainda mais quente do que já é em dias comuns. Parecia a sucursal do inferno. Eu teria voltado da porta e ido a outro lugar, mas meu primo já me aguardava lá dentro e eu não queria ser a chata que dá chilique. Talvez na ânsia de ganhar mais um dinheirinho com a entrada – sim, tinha pagamento de entrada – os donos perderam a mão e não controlaram a lotação do local. Na hora de escolher entre conforto e qualidade do serviço ou casa abarrotada, adivinha o que escolheram?
Respirei fundo e entrei. E logo de cara já constatei o óbvio: com uma estrutura feita para o atendimento em mesas – que nunca foi muito bom para ser sincera – a grande quantidade de pessoas em pé pelo meio do bar tornava a compra de bebidas e comidas impraticável. Uma alternativa teria sido montar um caixa no bar e permitir que as pessoas sem mesa comprassem ao menos as bebidas diretamente lá, mas ao invéns disso a organização da casa preferiu agir como se nada estivesse errado e insistia em declarar que era preciso estar em uma mesa para pedir.
Com alguma ajuda de garçons de boa vontade, até era possível conseguir comprar um baldinho de long necks de alguma cerveja. Mas era só. E só se você tivesse a sorte de, como eu, estar acompanhada por pessoas que conheciam todos os garçons do bar. Tentei comprar uma cerveja sozinha e não consegui. Tive que pedir ajuda aos universitários. Na verdade eu nem deveria beber. Primeiro porque eu estou tomando uma medicação e o médico recomendou que eu não bebesse. Segundo, porque cerveja me faz um mal danado e eu tenho dado preferência a outras bebidas, em especial aos vinhos secos. Mas ali não estava fácil. Eu tinha mesmo que beber. Não consegui comprar nenhum coquetel. E duvido que tivesse conseguido comprar uma garrafa de vinho decente por lá. Aproveitei a cerveja que os meninos arranjaram mesmo.
Segui tentando relaxar. O pessoal com quem eu estava parecia gente boa – eu só conhecia uma pessoa de um grupo de... muitos! -, vinham sendo simpáticos e amigáveis e não dava para simplesmente ir embora após menos de 30 minutos no local.
A música não era uma das minhas favoritas, mas nem era o pior dos problemas. Não fosse as outras coisas, eu até teria relevado. Achei que dançar seria uma alternativa e lamentei a ausência dos meus amigos pé de valsa que não me deixam ficar parada nas festas. Sabe como é, a turma estava ocupada paquerando e aproveitando a noite. Dois dos novos conhecidos do grupo em que eu estava até me tiraram para dançar. Mas acabou e eu continuei ali imaginando se dava para ir embora sem parecer desagradável, especialmente com o pessoal da banda, que eu conhecia.
Eu pensei em aproveitar paquerando também. Mas olha... não estava sendo fácil. Para todo o lado que eu olhava, era piriguetagem e “cafuçuzagem” demais para mim. Um pessoal que parecia estar no cio, desesperado para se agarrar com alguém. Uns caras que olhavam as mulheres que passavam como se fossem cães famintos observando um pedaço de bife. Umas mulheres que ainda não aprenderam a diferença entre ser sexy e ser vulgar, e erravam feio a receita. Uma falta crônica de charme. Claro que os meninos que estavam comigo foram respeitosos e gentis. Disso não posso reclamar. Mas o contexto geral era complicado.
Não é que eu não tope ficar com algum cara em uma festa. Se eu estiver afim, não vejo problemas nisso. Até gosto bastante de paquerar, devo admitir. Mas prefiro o cara que sabe como abordar uma mulher. Que chama, conversa, joga um charme e só depois lança a rede. Homem que me aborda parecendo desesperado, puxando meu braço e tentando me beijar quando eu passo, ao invés de me seduzir, me assusta. É perigoso me fazer sair correndo.
E olha que este nem é dos piores bares por onde passei. Já bebi com amigos em cada boteco pega-bebo que parece mentira. Este, por incrível que pareça, tratava-se de um bar da moda, arrumadinho até. Com cobrança de entrada e preços não muito baratos no interior, o que já deveria dar uma selecionada no público. Mas não teve jeito. Apesar da capa limpinha, lá dentro parecia mais um reduto de gente desesperada.
Fui embora antes do final do show e no balanço final a noite foi muito, muito ruim. Não vou dizer o nome do bar porque não quero fazer uma campanha de boicote, quero apenas fazer um desabafo. É uma ótica pessoal. Tem gente que curte essa vibe. Eu não. E embora já tenha tido bons momentos nesse mesmo local em outras ocasiões, onde estava mais vazio e com um público mais bacana, não tenciono voltar lá. Forçar a barra em um lugar que não tem nada a ver comigo é um negócio que não rola desde que eu passei dos 15 anos. Por mais que pessoas queridas gostem de estar lá.
Da próxima vez, eu escolho o bar.

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Cinquenta tons de ilusão

Como leitora voraz que sou, não poderia deixar de ler a trilogia que tem sido mais comentada na minha rodinha de amigas: Cinquenta tons de cinza. Li os três livros - Cinquenta tons de cinza, Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade - em versão digital e gostaria de tecer alguns comentários sobre eles.
Confesso que eles não entraram para o roll dos meus romances favoritos. Sim, romances. Porque apesar de vendidos como literatura erótica, é isso que são: RO-MAN-CES. E daqueles bem açucarados. Claro que há muitas descrições de sexo pretensamente sadomasoquista. Algumas boas, outras nem tanto. Mas o excesso de fantasia amorosa que permeia a leitura às vezes atrapalha e quebra o clima.
Há todos os elementos clássicos das revistinhas Julia, Sabrina, e cia ilimitada que encontramos nas bancas: um homem que tão perfeito não existe, mas que guarda um terrível segredo; a mocinha cheia de ética e coragem; a ex que atormenta a vidinha do casal; a melhor amiga que avisa dos perigos da relação; e a família linda, rica e também perfeita do moço. Alguns trechos trazem situações especialmente piegas e improváveis. Entendo que a história trata-se de uma fantasia. Mas quando se perde a mão, torna-se cansativo.
Senti falta de personagens mais reais, mais palpáveis. É muito fácil sentir tesão pelo camarada rico, bem sucedido, branco caucasiano, de olhos claros e corpo perfeito.   O problema é que esse cara não existe ou, se existe, não está ao alcance da maior parte de nós, reles mortais. É por isso que prefiro ler autores eróticos capazes de tirar tesão do dia-a-dia, das pessoas que existem e circulam ao nosso redor. Aquele cara que de repente nem é tão perfeito, mas te faz estremecer quando toca sua nuca. Aquele cara que tem uma barriguinha que ironicamente chama de "calo sexual", mas que sabe exatamente onde e como te tocar.
Ou então fazer brotar o tesão do sexo mais cru. Do sexo sem amor. Do sexo pelo sexo, pelo desejo. Sem tanto sentimento e sem essa responsabilidade de ser a mocinha que vai salvar o coração do mocinho. Ninguém salva o coração de ninguém. A gente precisa curar nossas próprias feridas. E reforçar essa crença no poder de salvação só serve para criar mulheres mais inseguras e mais suscetíveis a relações que levam a mágoas. É claro que ter carinho e apoio também é gostoso. Mas as pessoas mudam porque querem mudar, porque chegam à conclusão que vale a pena, e não porque o outro pediu. O máximo que podemos fazer é ser um ponto de apoio para essa mudança. Mas veja bem, um ponto. E não a mudança toda, como a mocinha do livro é apresentada.
Não vou dar exemplos desse romantismo exacerbado para não soltar spoilers, mas eles são jogados na nossa cara desde o princípio do primeiro livro. E vai piorando. O terceiro livro traz passagens tão piegas, e com finais tão óbvios, que até a mocinha mais romântica pensa "meu deus, a autora viajou".
Apesar disso, a trilogia guarda em si um grande mérito: a popularização do erotismo. Só por isso já merece nosso respeito. É bacana ver nas rodinhas de "moças de família" o debate sobre um livro que detalha o sexo entre seus protagonistas. E o mais bacana é justamente o fato desse debate não se referir ao livro como putaria ou sacanagem - no sentido mais pejorativo dos termos. Talvez seja justamente por ter tanto de história de amor impossível que o livro tenha alcançado todo esse sucesso.
Pode ser um primeiro passo para o caminho que nos levará a ver o sexo como algo natural - porque é isso que é. Evidente que esse caminho é muito longo e ainda passa por uma batalha com crenças religiosas e raízes culturais.... Mas um passo adiante, por menor que seja, é melhor do que permanecer parado.

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13 lições que aprendi com a minha atribulada vida amorosa

Conforme o prometido, mais um texto do Clube das Meninas-Mulheres. Este é o último, Quem quiser conferir os demais, deve acessar o blog.


13 lições que aprendi com a minha atribulada vida amorosa

 Em uma noite perdida em Recife, estive tomando um vinho com algumas amigas. Todas, como alguém me disse certa vez, com conteúdo, personalidade e cárater. Todas verdadeiras; loucas por uma boa festa; autenticas; espertas; responsáveis sem serem chatas, inteligentes sem serem nerds; loucas, mas não idiotas; comportadas, mas não santas; educadas, embora com certas exceções; delicadas sem serem frescas; vaidosas, mas não narcisistas. Enfim, daquele jeitinho que deveria fazer os caras sentirem orgulho de apresentar ao amigos. Munidas de bom vinho e boa música, fizemos uma "girls night" que, após a partida da única comprometida do grupo, acabou descambado para aquele questionamento fatal:  porque diabos ainda estamos solteiras?

É a mesma pergunta que fazem meus familiares, meus amigos, meus clientes e até o tiozinho que vende doces lá na porta do trabalho.

A primeira resposta que vem à mente é sempre "porque está difícil encontrar caras legais". Mas acho que o problema vai bem além. Não é que os caras legais tenham se tornado uma espécie em extinção. É que nós insistimos em perder tempo e energia com caras não tão legais assim. Porque solidão às vezes dói. E para fugir dessa dor a gente acaba deixando de lado a dignidade e embarcando em dores diferentes, resultados de relacionamentos ruins.

Acho sim, que muitas agruras amorosas femininas acontecem por nossa culpa (sim, eu me incluo no grupo). Não conheço nenhum homem brilhante o suficiente para enganar completamente uma garota. Os sinais de que a canoa está furada estão sempre ali. Na maioria das vezes, já tem um monte de água invadindo o barco. E nós mulheres, sempre enxergamos esses sinais. Só que as vezes, ao invés de procurar uma outra embarcação, preferimos simplesmente colocar um pouquinho de chiclete sobre o furo (o que obviamente não resolve o problema). Aí vamos seguindo até a canoa afundar de vez e finalmente começarmos a procurar uma bóia (mas nesse ponto a gente já engoliu um monte de água e tem que lutar contra possíveis sequelas). A boa notícia é que sempre dá para aprender com os nossos erros e com os erros das amigas. E vou contar para vocês algumas lições que aprendi.


1) Homem comprometido jamais.
Não tem conversa. Homem comprometido com outra não vale o esforço. E não interessa se o relacionamento dele está bom ou se o pobrezinho vem sofrendo com a "mulher horrível" que tem ao seu lado. Se ele traiu a garota com quem se comprometeu não merece confiança. Se de fato ele enfrenta problemas na relação, precisa resolvê-los antes de se envolver com outra. Até para uma relação sem compromisso esse tipo de homem merece veto, porque uma coisa é o cara não querer compromisso com ninguém - seja lá por que motivo for - e outra coisa completamente diferente é o cara não querer compromisso com VOCÊ. Há uma diferença importante aí. Acredite, se o cara quiser realmente ficar com você ele irá procurá-la quando estiver livre. E se não procurar, não se preocupe. É sinal que você economizou algum tempo para investir em quem merece mais, ou seja, você mesma.

2) Carência é diferente de amor.
Carência é terreno perigoso. A gente quer carinho, se sente só, aí acaba taxando de príncipe o primeiro sapo que cruza o nosso caminho. O cara só precisa soltar um "venha cá minha nega" e pronto. Você se derrete. Acha logo que é amor. Mulher tem essa mania chata de beijar o cara de manhã e começar a costurar o vestido de noiva a tarde. Ou pior, retirar o filtro de qualidade e sair pegando qualquer um por aí. Baixe a bola das expectativas e aprenda a deixar as coisas rolarem - ou não - de maneira natural. Só fique atenta aos sinais pra ver se o cara tá realmente afim ou se é só fantasia da sua cabeça. Seu tempo é precioso e não merece ser desperdiçado com quem não te quer.

3) Sexo também é diferente de amor.
Sexo é bom e a gente adora (bom, pelo menos eu...). E nem sempre precisa ser com amor. Na verdade só precisa mesmo é de camisinha. Claro que com amor é mais gostoso, mas às vezes estamos mesmo com vontade e não tem nada demais deixar rolar. Se os hormônios estiverem pegando fogo, tá liberada para acalmá-los. Mas nunca, jamais, em momento algum, saia por aí desesperada dando bola pra todo mundo. Uma coisa é dar uma chance a um cara legal que talvez você não tivesse notado antes, outra é terminar a noite na cama do otário que vai te tratar feito uma puta e ainda se gabar pros amigos. Mulher bem-resolvida sexualmente não é sinônimo de mulher que dá pra todo mundo. Satisfaça suas necessidades mas respeite a si mesma. Ser a menina que passou na mão da turma toda não é moderno, é triste. É coisa de gente vazia, que não dá valor ao próprio corpo. E não esqueça de separar tesão e sentimento para não cair na armadilha da carência e não ficar arrasada se o cara não ligar no dia seguinte. Se ainda não atingiu esse grau de desapego compre um vibrador e deixe para fazer sexo quando arrumar um namorado. Ou então aguente as consequências emocionais sem depois ligar para amiga afirmando que foi "usada". Estar no controle da situação é ter o poder de, enquanto for do seu agrado, deixar o outro usar, abusar e ainda dar cartãozinho de fidelidade. Saia já dessa vidinha de vítima.

4) Piedade é que é diferente de amor MESMO.
Já fiz muitas besteiras por causa desse negócio de sentimento, mas se tem algo de que me orgulho é de nunca ter aceitado ter ao meu lado alguém que permanece ali por pena. Tem mulher que inventa mil e uma artimanhas pro cara achá-la uma coitadinha e ficar com ela, e tem cara que cai na armadilha seja porque tem coração mole ou porque se acomodou naquele relacionamento. Mas piedade é o motivo mais triste para continuar com alguém. É um negócio que vai acabando com você dia-a-dia, porque no fundo você sabe que não é digno.

5) Há que separar o joio do trigo.
Existem dois tipos de homens, os que te querem e os que não te querem. Simples assim, a gente é que complica, fica vendo coisas onde, na verdade, não há nada. E não é difícil distinguir uma situação da outra. Quer um exemplo? Bom, quando meu avô materno adoeceu, passamos por um momento bem complicado na família. Foi doloroso. Um dia eu estava no hospital, e não consegui entrar para vê-lo durante a tarde. Decidi então esperar até o horário da noite, o que significava algumas horas sozinha na sala de espera do hospital. O cara com quem eu estava saindo na época, ao saber disso, pegou o carro e foi me encontrar. Não tinhamos compromisso e ele sabia que não ia rolar nada, eu não estava em condições de namorar.  Ainda assim ficou comigo naquele sábado a noite, mesmo gripado. Cuidou pra que eu comesse - porque ele sabia que quando fico nervosa ou triste, perco a fome completamente - e me fez companhia até o horário em que meus tios chegariam. Ele não estava apaixonado, mas ele me queria. E querer tem a ver com gostar de estar junto mesmo em momentos mais complicados. Na época eu estava apaixonada por outro e vivia tentando justificar as merdas que esse outro fazia comigo. Sabe quantas vezes o homem que eu amava teria feito o mesmo por mim? Nenhuma. E sabe porque? Porque ele não me queria. Só que eu demorei um bocado para perceber essa diferença que hoje me parece tão óbvia. E fico feliz em saber que não fiquei esperando, fui capaz de ficar junto de quem queria estar comigo e ter momentos bacanas com essa pessoa que, aliás, tem meu carinho até hoje.

6) Amigos não brincam com amigos.
Às vezes acontece de amor virar amizade. E às vezes é só para uma das partes. Eu já estive dos dois lados. Já fui apaixonada por um amigo e já tive um amigo apaixonado por mim. Quando meu amigo se apaixonou por mim, eu fiz de tudo para não magoá-lo. Me afastei um pouco e dei a ele tempo para esquecer aquele sentimento. Foi difícil. Eu sentia falta dele, queria ligar, queria sair junto, queria dividir as coisas da minha vida e fazer parte da vida dele. Mas não queria namorá-lo. Não conseguia vê-lo de outra forma que não fosse amigo. E sabia que as coisas não podiam mais ser como antes, ou meu amigo iria sofrer. Hoje ele está bem, está feliz com outra pessoa e entende que me afastei em respeito aos sentimentos dele. Hoje ainda somos amigos e podemos nos dar ao luxo de rir da situação.
Infelizmente, quando a apaixonada fui eu, as coisas aconteceram de maneira bem diferente. Mesmo sabendo como eu me sentia, o "amigo" se recusou a manter uma distância saudável. Quando eu me afastava ele vinha atrás, dizia que sentia falta da minha amizade, que tinha um grande carinho, que não aguentava minha distância. Quando ele bebia ficava comigo. No dia seguinte, se dizia arrependido porque achava que não valia a pena. Fez isso duas vezes. Depois se gabou nas minhas costas. Isso sem contar nas vezes em que se divertia falando na minha frente sobre as garotas com quem saía. Ele sabia que estava me ferindo, ninguém é tão burro a ponto de não perceber. A questão é que ele estava brincando comigo, estava querendo me manter na geladeira caso desejasse um lanchinho entre as refeições. Me dispensava e quando via que estava me perdendo de vez voltava com esse papinho furado de amigo. Aí eu ficava arrasada, com a consciência pesada, achando que estava sendo injusta com ele. Porque parecia mais fácil acreditar que ele tinha algum carinho genuíno por mim. Parecia mais fácil aceitar as migalhas que ele oferecia. Só que um dia eu percebi que ele não era meu amigo, nunca foi. Era só um moleque que não sabia lidar com os sentimentos dos outros. Nem tampouco com os seus próprios. Eu costumava chamá-lo de Peter Pan, e nunca vi um apelido cair tão bem (em seu pior sentido). Hoje a paixão passou, mas a amizade também. Por ele não restou nem raiva, de tal maneira que há tempos não nos falamos e ele não tem feito a menor falta. Minha auto-estima está curada e não permito que outros se comportem da mesma forma comigo. Mas empresto meu erro para que outras aprendam com ele e não precisem passar pelo que passei. Amigos não brincam com amigos, eles deixam claro o que sentem e respeitam os sentimentos do outro.

7) Antes só do que mal acompanhada.
Não precisa dizer muito mais né? Melhor sozinha do que metida em um relação meia-boca. Enquanto estiver presa em um relacionamento que não a faz feliz, está perdendo a chance de viver outras experiências que podem ser melhores. E isso vale para os rapazes também. Eu sei que essa coisa de ir testando às vezes é um saco. Conhecer gente nova, sair pela primeira vez, voltar imaginando se o outro gostou de você, esperar a ligação do dia seguinte - que às vezes não acontece - sem saber ao certo se terá companhia para o fim de semana. É bacana de vez em quando, mas quando vira "de vez em sempre", bate aquela sensação de que o "cara certo" nunca vai aparecer. E a verdade é que não vai mesmo. Ainda bem. Porque quando penso no cara certo, penso em um cara perfeito e, sabe como é, pessoas perfeitas devem ser horríveis. Mas uma hora vai aparecer um erradinho que merecerá seu coração. Até ele chegar, relaxe, ouça um samba e deixe a vida te levar.

8) Não somos nós que vamos mudar todas as convenções culturais.
Homens e mulheres estão muito mais próximos da igualdade do que jamais estiveram em diversos aspectos da vida social. E quando o assunto é eqüidade de gênero no trabalho ou em disputas para cargos eletivos, por exemplo, eu concordo que devemos ir à luta. Mas nas relações amorosas a coisa não avançou tanto assim e não somos nós que iremos revolucionar todos esses anos de história. Aliás, eu nem pretendo. Gosto de ser tratada com carinho, cuidada, protegida. Mato um leão por dia no trabalho para provar que, apesar da carinha de menina, sou uma profissional competente, e não preciso ter que viver em guerra com o homem que está saindo comigo também. Não só gosto, como espero cavalheirismo. Quando era novinha, até fui meio metida a feminista. E daquelas xiitas. Um dia me peguei brigando com meu acompanhante para pagar a metade da conta. A resposta dele - que veio em palavras e em gestos carinhosos durante toda a noite - me tornou essa mocinha estragada e mimada no quesito "o que espero em um primeiro encontro". Ele me olhou e disse que não estava ali disputando comigo quem pode mais. Estava tentando ser gentil e ajudaria bastante se eu baixasse um pouco a guarda. Então experimente fazer isso, baixar a guarda e deixá-lo cuidar de você, chamar o garçom, fazer o pedido, sugerir a bebida, te segurar pela cintura daquele jeito gostoso, como quem diz "ela está comigo". Relaxe. E retribua se comportando como uma dama, sem reclamar que o bar é apertado, a música é ruim, a comida está sem sal e o vinho que ele escolheu vai te dar dor de cabeça no dia seguinte – mesmo que tudo isso seja verdade. Gentileza gera gentileza e se ele está se esforçando não custa nada você se esforçar também. Anos mais tarde, conversando com meu amigo mais galinha, ele reforçou essa necessidade dos homens de ser o "macho-alpha". É até bonitinho, desde que se manifeste através de cavalheirismo e cuidado - e não com ciúme e machismo. Meu amigo, cafajeste como só ele sabe ser, ainda disparou: "Você pode até querer ser feminista, mas se o cara não faz questão de pagar a conta no primeiro encontro é porque acha que você não vale nem isso". Claro que há exceções, mas regra geral eles curtem mesmo essa coisa de sentir que estão "no comando". Agora, também não pode abusar. Lembre-se que uma coisa é aceitar uma gentileza no primeiro encontro, outra completamente diferente é querer o cara te bancando eternamente. O homem que está saindo com você é seu companheiro e não o seu pai. E não tem obrigação de te sustentar.
Outra coisa que não muda muito é o fato de que homens conquistam, mulheres são conquistadas. Eles gostam desse jogo e se você relaxar vai gostar também. Não use igualdade de gênero como desculpa para ficar toda hora convidando pra sair aquele cara que nunca retribui o convite e nunca tem tempo para você. Você pode até convidar uma vez, mas se sentir que o feedback não foi legal, vá ocupar seu tempo com o próximo da fila. Não precisa romper relações nem fazer drama, apenas siga adiante.

9) Respeito é bom e sem ele não rola NADA.
Esse é um quesito importantíssimo. Aliás, para ser bem sincera, é condição sine qua non. Como eu já havia dito uma vez no texto sobre o P.A. (que já postei aqui), homem que não te respeita não serve para nada, nem para uma noite de sexo casual. Só tenha em mente que respeito é uma via de mão dupla. Você respeita para ser respeitada mocinha, então faça a sua parte. E o respeito que ele lhe deve inclui, entre outras coisas, não tratar você com ignorância; não julgá-la; não paquerar outras quando está com você, caso seja uma relação casual, e não paquerar outra em hipótese alguma caso vocês tenham um compromisso - a menos que tenham adotado, de comum acordo, uma relação aberta, o que é muito, muito raro.

10) Homens emocionalmente instáveis precisam de um psicólogo e não de uma namorada.
Confesse, você adora homens problemáticos. Delira com a possibilidade de curar um coração ferido. A boa notícia é que você não é a única. Homens atormentados e magoados tem um charme diferente, especial. A má notícia é que você não pode curar porra nenhuma (perdão pela palavra deselegante...). Então nem perca seu tempo. Homens que ainda estão ligados à ex, que tem traumas de infância, medo do relacionamento ou que "não estão prontos", na maior parte das vezes estão apenas inventando uma desculpa bonita para não assumir um compromisso com você. Nos raros casos em que estão sendo sinceros eles precisam de um psicólogo e não de uma namorada. Eu acredito muito naquele papo de que "só curamos um amor antigo com amor novo". Mas esse amor novo tem que ser por nós mesmos. Se o cara não tem condições de te assumir agora porque está mergulhado em seus problemas, não vista a capa de heroína. Dê a ele tempo para se curar e aprender a amar a si mesmo. Só então ele poderá amar você. Nesse meio tempo vá viver a sua vida. Talvez você até encontre alguém que não precisa ser salvo.

11) Quando você inicia um relacionamento pensando em mudar a outra pessoa, já percorreu mais da metade do caminho rumo ao fracasso.
As pessoas não mudam porque o outro quer, elas mudam porque sentem necessidade de mudar. Então não adianta embarcar em um relacionamento achando que vai alterar os hábitos e nem muito menos o caráter de quem entrou nessa com você. Se tem algo no seu parceiro ou parceira que você não gosta, as opções são aceitar ou pular fora. Lembre-se que quando se interessa por alguém, deve se interessar por quem essa pessoa é no momento e não por quem ela poderia ser. Alguém já te avisou para tomar cuidado com o que deseja? É isso.Tenha os pés no chão ao se envolver, não fantasie demais e não tente transformar o outro. Você pode conseguir e o resultado pode não ser satisfatório. Ou a outra pessoa pode simplesmente cansar de estar com alguém incapaz de fazer algo tão simples e ao mesmo tempo tão complicado quanto amá-la do jeito que ela é.

12) Sem tesão não há solução.
Pois beeeeeeeem. Já dizia Arnaldo Jabor: “amor sem sexo é amizade”. Ao entrar em uma relação, certifique-se de que sente tesão pela outra pessoa. Certifique-se de que ao beijá-la, seu corpo se arrepie inteiro, mesmo que o beijo seja apenas um aperitivo. Você pode entrar em uma relação sem amor, somente porque gosta daquela companhia, porque a chance do amor surgir depois em uma relação bacana é grande. Mas química não brota do nada, não adianta. Sem tesão não há solução. E não me olhe com essa cara de AIMELDELS-ELA-É-NINFOMANÍACA. Não sou e você – provavelmente – também não é. Mas um casal que não tem uma sintonia legal na cama acaba não tendo uma sintonia legal fora dela. Ou virando amiguinho. E se o que você quer é só um amigo, compre um cachorro que dá menos trabalho.

13) Tenha foco.
Essa é a última, mas é a mais importante. Quando lhes digo para ter foco, quero dizer para conhecerem a si mesmas e terem plena consciência do que estão buscando. Se você quer um namorado, não adianta engatar uma relação com aquele cara galinha – mas charmosérrimo – que já avisou não estar querendo compromisso. Algumas pessoas levam esse tipo de situação numa boa, outras não tem “estômago”.  Saiba em que categoria você se encaixa e fuja de situações-limite que avisam em letreiros neon “vamos te fazer sofrer”. É mais fácil – e menos doloroso – pular fora no início e deixar o coração livre para encontrar alguém com o mesmo perfil que o seu.

Moral da história: Sei que é difícil lidar com cobranças de uma sociedade que ainda hoje cria suas meninas - e meninos também - acreditando que "é impossível" ser feliz sozinho (vivo me embananando com isso, sou quase uma "faz merdinha da estrela" quando o assunto é relacionamentos). Mas a gente precisa fazer a nossa parte. Se você não é capaz de amar a si mesma, porque outra pessoa iria fazê-lo?

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